Saúde digital e equidade: potencialidades e riscos da implantação de inteligências artificiais na saúde pública do Paraná
DOI :
https://doi.org/10.5212/Emancipacao.v.26.2625320.012Mots-clés :
Saúde Digital; Inteligência Artificial; Políticas Públicas; Paraná; SUS.Résumé
Este artigo analisa a implantação de tecnologias digitais e do uso de inteligências artificiais na saúde pública, com foco no território paranaense, à luz da Estratégia de Saúde Digital do Brasil (2020–2028), examinando seus efeitos sobre a equidade de acesso. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza documental e bibliográfica, analisando normativas oficiais e literatura científica. Os achados indicam que a digitalização amplia a integração de
sistemas, a capacidade informacional e o potencial de acesso, especialmente na Atenção Primária, mas permanece condicionada por desigualdades infraestruturais e lacunas normativas na governança e proteção de dados em saúde e dependência de atores privados. São discutidas a plataformização e os riscos de financeirização associados a parcerias privadas e à captura de dados. Conclui-se que a digitalização não produz, por si só, maior equidade, dependendo de regulação detalhada, governança pública e capacidade institucional para não reproduzir desigualdades no SUS.
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