Infanticídio, violência sexual e justiça em um processo criminal de Lagoa Vermelha - RS (1914)
DOI:
https://doi.org/10.5935/2177-6644.20260032Resumo
O artigo analisa um processo criminal de 1914, ocorrido em Lagoa Vermelha, RS, no qual uma menor, sua irmã e sua mãe foram acusadas de infanticídio. Os autos indicam a ocultação do nascimento e da morte do recém-nascido, vinculada a gestação indesejada decorrente de práticas incestuosas no interior da família, revelando uma infância atravessada por violência e silenciamento. Inserido no campo da História do Crime e da Justiça, o estudo adota como procedimento metodológico a leitura crítica das peças processuais, examinando as mediações discursivas que transformam acontecimentos em verdade judicial, bem como silêncios, contradições e enquadramentos morais na construção da culpabilidade. Conclui-se que, no contexto da Primeira República, o infanticídio operou como dispositivo jurídico-moral de regulação da sexualidade feminina e de reafirmação da ordem patriarcal, problematizando as articulações entre justiça, gênero, infância e poder no Brasil republicano.
Palavras-chave: História do Crime. Infância. Família. Sexualidade. Violência.
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