Andarilhos de estrada: perigos, riscos e vulnerabilidade social
DOI :
https://doi.org/10.5212/Mots-clés :
Andarilhos. Riscos. Perigos. Vulnerabilidades.Résumé
A questão dos riscos, perigos e vulnerabilidades tem sido objeto crescente de preocupações da ciência e de políticas públicas diante de circunstâncias que expõem o ser humano a desastres e tragédias com elevados índices de letalidade e sofrimentos intensos às vítimas atingidas, especialmente quem vive em situação de vulnerabilidade social. O presente artigo foca uma população ainda pouco conhecida pela ciência e pela sociedade em geral, bastante sujeita a riscos, perigos e vulnerabilidades associados às suas condições de vida. Trata-se dos andarilhos de estrada, pessoas que transitam pelos acostamentos das rodovias, perambulando sem destino, vagando para algum lugar. A presente pesquisa, utilizando entrevistas realizadas por meio de abordagens nos próprios acostamentos das rodovias, revelou que, nessa condição de vida errante, eles estão expostos a atropelamentos, maus-tratos, roubos, desavenças e, sobretudo, ausência da garantia de direitos e proteções sociais mínimas. A despeito das dificuldades e desafios que enfrentam na errância pelos acostamentos das rodovias, predomina entre eles a percepção de um ambiente urbano sedentarizador, rígido, opressivo e aprisionante, enquanto a ambiência da estrada é vista como mais potencializadora de si, enriquecedora da vida e libertadora. O estudo da condição de errância vivida pelos andarilhos de estrada permite ampliar as reflexões e questionamentos sobre conceituações de risco, perigo e de vulnerabilidade, sobretudo, aquelas forjadas em experiências de sedentarização e de territorialização constituídas na habitação dos espaços urbanos.
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