Significações e afetividade no movimento “Guardiões das Sementes Crioulas” em Anchieta/ SC
DOI :
https://doi.org/10.5212/Emancipacao.v.26.2624928.004Mots-clés :
Afetividade., Psicologia Social, Ética, Movimentos SociaisRésumé
O artigo objetiva compreender os sentidos da conservação das sementes na conexão da afetividade dos agricultores com a continuação do movimento “Guardiões das sementes crioulas” em Anchieta/SC. Sementes crioulas enfrentam risco de desaparecimento, e os guardiões dessas sementes lutam para mantê-las e desenvolverem autonomia no campo. Entender os afetos imbricados em movimentos de resistência ao agronegócio permite explorar respostas aos entraves no rural brasileiro; para isso adotamos o materialismo histórico dialético como método e a técnica de construção da informação como opção metodológica. Foram realizadas entrevistas em profundidade, emergindo três núcleos de significação: senso de cuidado; relação ética-ecológica; e oposição ao sistema e suas consequências. Concluise que os afetos e os sentidos associados a ações sustentáveis são responsáveis pela ação laboral e pelo impacto no ambiente, e para os guardiões se destacam o cuidar, o valor além do lucro, e o alicerce nas tradições e relações sociais.
Références
AGUIAR, W. M. J.; OZELLA, S. Núcleos de significação como instrumento para a apreensão da constituição dos sentidos. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 26, n. 2, p. 222-245, jun. 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-98932006000200006 Acesso em: 8 jan. 2025.
AGUIAR, W. M. J. DE .; OZELLA, S.. Apreensão dos sentidos: aprimorando a proposta dos núcleos de significação. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 94, n. 236, p. 299–322, jan. 2013.
AGUIAR, W. M. J. Consciência e atividade: Categorias fundamentais da Psicologia Sócio-Histórica. In: BOCK, A. M. B.; GONÇALVES, M. G. M.; FURTADO, O. (Eds.). Psicologia sócio-histórica: Uma perspectiva crítica em psicologia. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 95-110.
ALVES, A. M. P. O método materialista histórico-dialético: alguns apontamentos sobre a subjetividade. Revista de Psicologia da UNESP, v. 9, p. 1, 2010.
BOFF, L. O cuidado essencial: princípio de um novo ethos. Inclusão Social, v. 1, n. 1, p. 28-35, out./mar. 2005.
BOFF, L. O cuidado necessário: na vida, na saúde, na educação, na ecologia, na ética e na espiritualidade. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2013.
BOCK, A. M. B. A psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. In: BOCK, A. M. B.; GONÇALVES, M. G. M.; FURTADO, O. (Eds.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 15-36.
BOMFIM, Z. A. C.; DELABRIDA, Z. N. C.; FERREIRA, K. P. M. Emoções e afetividade ambiental. In: CAVALCANTE, S.; ELALI, G. A. (Org.). Psicologia ambiental: conceitos para a leitura da relação pessoaambiente. Petrópolis: Vozes, 2018. p. 60-74.
BRASIL. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA. O que é Indicação Geográfica? Como obter o registro? 2017. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/indicacao-geografica/o-que-e-indicacao-geografica-ig. Acesso em: 9 jan. 2025.
BRASIL. Lei n. 10.711, de 5 de agosto de 2003. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Sementes e Mudas e dá outras providências. Diário Oficial da União, Seção 1, 6 de agosto de 2003.
BRASIL. Lei nº 13.562, de 21 de dezembro de 2017. Confere ao município de Anchieta, no Estado de Santa Catarina, o título de Capital Nacional da Produção de Sementes Crioulas. Brasília, DF: Presidência da República, 2017.
CAMPOS, A. V.; CASSOL, K. P.; WIZNIEWSKY, C. R. F. Sustentabilidade nos territórios do milho crioulo: olhares para Anchieta/SC e Ibirama/RS. Grifos, v. 27, n. 44, p. 144, 27 set. 2018.
CANCI, A. Sementes crioulas: construindo soberania, a semente na mão do agricultor. São Miguel do Oeste: McLee, 2002.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. O suicídio e os desafios para a psicologia. Conselho Federal de Psicologia, 2013. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Suicidio-FINALrevisao61.pdf. Acesso em: 8 jan. 2025.
CORRÊA, D. A.; BASSANI, M. A. Cuidado ambiental e responsabilidade: possível diálogo entre psicologia ambiental e logoterapia. Psicologia em Estudo, v. 20, n. 4, p. 639-649, out./dez. 2015.
ESPINOSA, B. Ética. São Paulo: Autêntica, 2010.
FABRINI, J. E. A resistência camponesa para além dos movimentos sociais. Revista Nera, n. 11, p. 8-32, 29 maio 2007.
FERNANDES, G. B., SILVA, A. C. DE L., MARONHAS, M. E. S., DOS SANTOS, A. DA S., & LIMA, P. H. C. (2023). Fluxo transgênico: desafios para a conservação on farm de variedades crioulas de milho no Semiárido brasileiro. Desenvolvimento E Meio Ambiente, 61. https://doi.org/10.5380/dma.v61i0.85886.
FURTADO, O. O psiquismo e a subjetividade social. In: BOCK, A. M. B.; GONÇALVES, M. G. M.; FURTADO, O. (Eds.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 75-94.
GÓES, M. C. R.; CRUZ, M. N. Sentido, significado e conceito: notas sobre as contribuições de Lev Vigotski. Pro-Posições, v. 17, n. 2, p. 31-45, 2016. Recuperado de: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643627.
GONÇALVES, M. G. M. Fundamentos metodológicos da Psicologia Sócio-Histórica. In: BOCK, A. M. B.; GONÇALVES, M. G. M.; FURTADO, O. (Eds.). Psicologia sócio-histórica: uma perspectiva crítica em psicologia. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2007. p. 113-128.
GUPTA, C., SALGOTRA, R.K., MAHAJAN, G. Future Threats and Opportunities Facing Crop Wild Relatives and Landrace Diversity. In: Salgotra, R., Zargar, S. (eds) Rediscovery of Genetic and Genomic Resources for Future Food Security. Springer, Singapore. 2020. P. 351-364. Diponível em: https://doi.org/10.1007/978-981-15-0156-2_14
HERRERA, K. M. Da invisibilidade ao reconhecimento: mulheres rurais, trabalho produtivo, doméstico e de care. Revista Nesp, v. 15, n. 1, p. 208-220, 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5007/2175-7984.2016v15nesp1p208.
HESS, S. C.; NODARI, R. O.; SOARES, M. R.; SOUZA E LIMA, F. A. N.; PIGNATI, W. A. Cenário agrícola brasileiro: monoculturas e silvicultura, agrotóxicos e incidência de câncer, suicídio e anomalias congênitas. In: ROCCON, P. C.; BEL, H. D.; COSTA, A. A. S.; PIGNATI, W. A. (Orgs.). Ambiente, saúde e agrotóxicos: desafios e perspectivas na defesa da saúde humana, ambiental e do(a) trabalhador(a). São Paulo: Pedro & João Editores, 2023. p. 396. https://doi.org/10.51795/9786526505649.
KAUFMANN, M. P. Resgate, conservação e multiplicação da agrobiodiversidade crioula: um estudo de caso sobre a experiência dos Guardiões das Sementes Crioulas de Ibarama (RS). 2014.
Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2014.
KUHNEN, T. A. A ética do cuidado como alternativa à ética de princípios. Ethic@, v. 9, n. 3, p. 155-168, set. 2010.
LOCATELLI, A. R. Resgate das sementes crioulas em Anchieta – SC (1996 – 2002): processo histórico e ecos. Revista Santa Catarina em História, v. 13, n. 1, p. 89-102, 2 set. 2019.
LEONTIEV, A. N. O homem e a cultura. In: O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Centauro, 1988.
NEABIO. Núcleo de Estudos em Agrobiodiversidade. UFSC. Disponível em: https://neabio.wixsite.com/neabioufsc/variedades-crioulas. Acesso em: 9 nov. 2024.
PULEO, A. H. Anjos do ecossistema? In: FARIA, N.; MORENO, R. (Orgs.). Análises feministas: outro olhar sobre a economia e a ecologia. São Paulo: SOF, 2012. p. 29-50.
SANTA CATARINA. Lei nº 11.455, de 19 de junho de 2000. Reconhece o Município de Anchieta como Capital Catarinense do Milho Crioulo e adota outras providências. Governo do Estado de Santa Catarina, 2000.
SAWAIA, B. B. Porque investigo a afetividade. Texto apresentado para concurso de promoção na carreira para a categoria de professor titular do Departamento de Sociologia da PUCSP. São Paulo: PUC, 2000.
SAWAIA, B. B. O sofrimento ético-político como categoria de análise da dialética exclusão/inclusão. In: As artimanhas da exclusão: uma análise ético-psicossocial da desigualdade. Petrópolis: Vozes, 2011. p. 97-119.
SILIPRANDI, E. Rompendo a inércia institucional: as mulheres rurais e a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. In: SAMBUICHI, R. H. R.; et al. (Orgs.). A política nacional de agroecologia e produção orgânica no Brasil: uma trajetória de luta pelo desenvolvimento rural sustentável. Brasília: IPEA, 2017.
SILVA, R. A.; TORRES, M. B. R. Cuidado ambiental na agricultura familiar. Revista Eletrônica Mestrado em Educação Ambiental, v. 36, n. 3, p. 178-197, 2019.
SOUZA, M. R.; LORETO, M. D. S. S.; EUFRÁSIO, L. F. As dimensões do cuidado no âmbito da economia feminista: um olhar sobre o trabalho das mulheres rurais no contexto da agricultura familiar. Emancipação, v. 23, n. 2, p. 1078-1096, 2023. https://doi.org/10.5212/Emancipacao.v.23.2321078.009.
STRUWKA, S. A formação da personalidade em camponeses que fazem o uso comum da terra. 2019. Tese (Doutorado em Psicologia) – Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, São Paulo, 2019. Recuperado de: doi.org/10.11606/T.47.2020.tde-07022020-111515.
THANOPOULOS, R., NEGRI, V., PINHEIRO DE CARVALHO, M. A. A., ET AL. (2024). Landrace legislation in the world: Status and perspectives with emphasis in EU system. Genetic Resources and Crop Evolution, 71(1), 957–997. https://doi.org/10.1007/s10722-023-01824-0
TRONTO, J. Assistência democrática e democracias assistenciais. Sociedade e Estado, v. 22, n. 2, p. 285-308, 2007.
VIGOTSKI, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
VIGOTSKI, L. S. Quarta aula: A questão do meio na pedagogia. Psicologia USP, v. 21, n. 4, p. 681-701, 2010.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health: Strengthening our response. World Health Organization, 2022. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mentalhealth-strengthening-our-response. Acesso em: 8 jan. 2025.
Téléchargements
Publié
Numéro
Rubrique
Licence
© Emancipação 2026

Cette œuvre est sous licence Creative Commons Attribution 4.0 International.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Os autores são autorizados a assinarem contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada nesta revista (por exemplo, em repositórios institucionais ou capítulos de livros), com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista).
c) Os autores são estimulados a publicar e distribuir a versão onlline do artigo (por exemplo, em repositórios institucionais ou em sua página pessoal), considerando que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e as citações do artigo publicado.
d) Esta revista proporciona acesso público a todo o seu conteúdo, uma vez que isso permite uma maior visibilidade e alcance dos artigos e resenhas publicados. Para maiores informações sobre esta abordagem, visite Public Knowledge Project, projeto que desenvolveu este sistema para melhorar a qualidade acadêmica e pública da pesquisa, distribuindo o OJS assim como outros softwares de apoio ao sistema de publicação de acesso público a fontes acadêmicas.
e) Os nomes e endereços de e-mail neste site serão usados exclusivamente para os propósitos da revista, não estando disponíveis para outros fins.
______
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR.



