Comunicação, cultura e oralidade no Batuque Gaúcho: reflexões teóricas sobre o rito de axé de fala como processo comunicacional batuqueiro

Autores

  • Sérgio Gabriel Fajardo Universidade Federal do Rio Grande do Sul https://orcid.org/0000-0002-9430-9863
  • Rudimar Baldissera Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.5212/RIF.v.20.i45.0007

Palavras-chave:

Comunicação, Oralidade, Comunicacional batuqueiro, Rito de "axé de fala", Comunidade batuqueira

Resumo

Neste texto, objetivamos problematizar conceitualmente o rito de “axé de fala” como um rito de passagem legitimador de estatutos nas organizações do Batuque Gaúcho. Para isso, em perspectiva de interfaces, empreendemos revisão de literatura sobre afro-religião/tradição Batuque Gaúcho, organizações/terreiros, folkcomunicação, comunicação e cultura organizacional, ritos de passagem e rito de “axé de fala”. Como principais inferências temos que, a um só tempo, o rito estudado se materializa, enquanto processo do comunicacional batuqueiro, legitimando estatuto e cumprindo papel para validar a presença do orixá como manifestação do sagrado, para destacar as habilidades das lideranças batuqueiras e para colocar em evidência, na comunidade batuqueira, as organizações/terreiros que realizam o rito de “axé de fala”.

Biografia do Autor

Sérgio Gabriel Fajardo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorando em Comunicação (UFRGS) e bolsista CAPES. Mestre em Comunicação (UFRGS). Relações-Públicas (FEEVALE). Pesquisador membro do Grupo de Pesquisa em Comunicação Organizacional, Cultura e Relações de Poder (GCCOP/UFRGS). E-mail: sfajardopoa@hotmail.com.

Rudimar Baldissera, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutor em Comunicação Social. Mestre em Comunicação/Semiótica. Professor e pesquisador na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bolsista produtividade do CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação Organizacional, Cultura e Relações de Poder (GCCOP) da UFRGS. E-mail: rudimar.badiserra@ufrgs.br.

Referências

BALDISSERA, Rudimar. A comunicação no (re)tecer da cultura organizacional. Revista Latinoamericana de ciencias de la Comunicación. 10, p. 52-62, 2011. Disponível em:

https://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/82.

BALDISSERA, Rudimar. Comunicação organizacional: o treinando de recursos humanos como rito de passagem / Rudimar Baldissera – São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2000.

BALDISSERA, Rudimar. Comunicação Organizacional: uma reflexão possível a partir do Paradigma da Complexidade. In: OLIVEIRA, Ivone de Lourdes; SOARES, Ana Thereza Nogueira (org.). Interfaces e tendências da comunicação no contexto das organizações. São Caetano do Sul - SP: Difusão, 2008b, p. 149-177.

BALDISSERA, Rudimar. Comunicação, organizações e comunidade: disputas e interdependências no (re)tecer as culturas. In: III Congresso Brasileiro Científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, 2009, São Paulo. Anais Abrapcorp 2009. São Paulo: Abrapcorp, 2009. Disponível em: https://www.abrapcorp2.org.br/anais2009/pdf/GT2_Rudimar.pdf.

BALDISSERA, Rudimar. Imagem-conceito: anterior à comunicação, um lugar de significação. 2004. Tese (Doutorado em Comunicação Social). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS, 2004.

BELTRÃO, Luiz. Folkcommunicação: Um estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de ideias. Porto Alegre: Edipucrs, 2014.

BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Linguísticas: o que falar quer dizer. Pierre Bourdieu. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro/RJ: Bertrand Brasil, 1989.

BRAGA, José Luiz; CALAZANS, Regina; RABELO, Leon et al. Matrizes interacionais - A comunicação constrói a sociedade. Campina Grande: EDUEPB, 2017.

CORRÊA, Norton. O Batuque do Rio Grande do Sul - antropologia de uma religião afroriograndense. 3 ed. São Luís: Editora Cultura & Arte, 2016.

CORRÊA, Norton. O Batuque do Rio Grande do Sul – uma visão panorâmica. In: TRIUMPHO, Vera (org). Rio Grande do Sul, aspectos da negritude. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 1991, p. 145-168.

FAJARDO, Sérgio Gabriel; BALDISSERA, Rudimar. Comunicação organizacional e a oralidade do comunicacional batuqueiro: o rito de “axé de fala” como rito de passagem legitimador de estatuto. In: Anais do 44º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, São Paulo, Intercom, 2021a. Disponível em: https://www.portalintercom.org.br/anais/nacional2021/lista_area_DT3-CO.htm.

FAJARDO, Sérgio Gabriel; BALDISSERA, Rudimar. O comunicacional batuqueiro: interface entre conceitos da comunicação organizacional e da cultura. In: MARTINS, Ana Taís; FREITAS, Camila (org.). Pesquisas comunicacionais em interface com arte, tecnologia, religião, meio ambiente. São Paulo: Pimenta Cultural, 2021.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

GEERTZ, Clifford. Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e científicos Editora SA, 1989.

GENNEP, Arnold Van. Os ritos de passagens. Petrópolis: Vozes, 1978.

HOHLFELDT, Antônio; KROPIDLOSKI, Ícaro Matos. Religiosidade afro-gaúcha e Folkcomunicação: discussões a partir do documentário Cavalo de Santo. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 20, n. 38, p. 27-37, 2021. Disponível em:

http://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/750.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia E Estatística. Censo Brasileiro de 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2002.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia E Estatística. Censo Brasileiro de 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2012.

MORIN, Edgar. O Método 3: o conhecimento do conhecimento. Porto Alegre: Sulina, 1999.

MORIN, Edgar. O Método 4: as ideias. Porto Alegre: Sulina, 2001.

NERI, Marcelo Côrtes. Novo mapa das religiões. Coordenação Marcelo Côrtes Neri. – Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas (FGV), CPS, 2011, 70 p.

RIVIÈRE, Claude. Os Ritos Profanos. Claude Rivière; Tradução Guilherme João de Freitas Teixeira. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2019.

SCHEIN, Edgar H. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas, 2009.

SILVA NETO, Sérgio Gabriel Fajardo. Comunicação organizacional e cultura no Batuque Gaúcho: a oralidade no comunicacional batuqueiro. 2022. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/RS, 2022. Disponível em:

https://lume.ufrgs.br/handle/10183/235387.

SILVEIRA, Hendrix Alessandro Anzorena. Não somos filhos sem pais: história e teologia do Batuque do Rio Grande do Sul. São Paulo: Arole Cultural, 2020.

SODRÉ, Muniz. Pensar nagô. Petrópolis: Vozes, 2017.

TADVALD, Marcelo. Notas históricas e antropológicas sobre o Batuque do Rio Grande do Sul. In: Relegens Thréskeia estudos e pesquisas em religião, v. 5, n. 01, 2016, p. 46-59. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/relegens/article/view/45867.

URIBE, Pablo Múnera. La idea de organización: una concepción amplia para una acción efectiva. Editorial comunicación. 2009.

WATZLAVICK, Paul; BEAVIN Janet Helmick; JACKSON, Don. D. Pragmática da comunicação humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos da interação. São Paulo: Cutriz, 2007.

Downloads

Publicado

2022-12-23

Como Citar

FAJARDO, S. G.; BALDISSERA, R. Comunicação, cultura e oralidade no Batuque Gaúcho: reflexões teóricas sobre o rito de axé de fala como processo comunicacional batuqueiro. Revista Internacional de Folkcomunicação, [S. l.], v. 20, n. 45, p. 127–144, 2022. DOI: 10.5212/RIF.v.20.i45.0007. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/21122. Acesso em: 6 fev. 2023.