A BOA NOVA E O PELICANO: DEBATES SOBRE O INFERNO (1871), NO SÉCULO XIX
Résumé
Em meio aos embates desenvolvidos por meio de periódicos religiosos-doutrinários, o romance esteve presente como alvo de combate ou defesa, entre as ideologias/posicionamentos contrários às suas respectivas doutrinas. As apreciações eram diversas, enquanto a Igreja Católica rechaçava a leitura de romances, a Maçonaria defendia, ressaltando o incentivo ao livre pensamento. Essas discussões em torno de títulos e autores ocorreram na Província do Grão-Pará, por meio de dois jornais oponentes: o católico A Boa Nova (1872 – 1883), sob a direção de Dom Macedo Costa, Bispo do Pará, e o maçônico O Pelicano (1872 – 1874), com gerência do Dr. José de Assis, político e maçom influente na região. Entre as obras condenadas nesse período, o romance O Inferno (1871), de Auguste Callet (1813-1883), foi debatido por ambos os jornais, energizando as altercações entre os dois, o que gerou o embate sobre a leitura desse romance nas folhas doutrinárias. A versão em língua portuguesa da obra foi traduzida e prefaciada por Camilo Castelo Branco, e ocasionou polêmicas quanto a sua circulação e propagação perante a imprensa periódica, quanto a condenação da leitura.
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