DEMARCAÇÃO DE TERRA NO BRASIL:
DISCURSO, NECROPOLÍTICA E RESISTÊNCIA
Résumé
O presente artigo examinou os discursos produzidos no governo de Jair Messias Bolsonaro (doravante JMB), no início de seu mandato, com foco na demarcação de terras dos povos indígenas brasileiros. O enfoque se deu em enunciados que mobilizaram ações que transferiram a responsabilidade da demarcação de terras da Funai para o Ministério da Agricultura, colocando os interesses ruralistas acima das pautas indígenas. O artigo também investigou as reações de ONGs e povos indígenas, especificamente Apuí, Guarani Mbya Carijó e Mundurucus, que se posicionaram como vozes de resistência e crítica às ações necropolíticas da esfera governamental. A análise mobilizou o conceito de necropolítica de Achille Mbembe (2018), que considera o biopoder na decisão sobre a vida e a morte, e os estudos de indexicalidade de Jan Blommaert (2010; 2014) e Michael Silverstein (2003) para explorar como os discursos de JMB refletem/refratam ideologias autoritárias (Volóchinov, 2013) e violentas. Os resultados mostram que JMB utilizou sua soberania sobre corpos desprotegidos para favorecer um grupo político específico, justificando suas ações em argumentos pautados no desenvolvimento econômico, enquanto desconsiderava os direitos e a dignidade desses povos. A linguagem foi usada para moldar a percepção pública e legitimar essas ações, favorecendo a exploração econômica sobre a preservação ambiental.
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