Inteligência artificial para o bem de quem? Saúde e resistência Kaingang em tempos de inteligência artificial: um ensaio autoetnográfico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.21.27101.079

Resumo

Este artigo, de abordagem autoetnográfica, tem como objetivo refletir sobre os impactos da inteligência artificial (IA) na saúde dos povos indígenas a partir da trajetória de uma enfermeira e estudante de Medicina Kaingang. A metodologia baseia-se na autoetnografia, que articula experiência pessoal e análise crítica, permitindo compreender como a vivência em uma comunidade indígena, o racismo estrutural e a atuação profissional na saúde indígena moldam o olhar sobre as novas tecnologias. O referencial teórico dialoga com os conceitos de colonialidade do poder, colonialismo de dados e soberania de dados indígenas, com discussões sobre ética em pesquisa com povos indígenas e com a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os resultados apontam que a IA, embora apresente potencial para melhorar a saúde, pode reproduzir lógicas coloniais caso não haja participação efetiva dos povos indígenas na gestão de seus dados, sendo indispensáveis a garantia da soberania informacional e o respeito à diversidade cultural.

Palavras-chave: IA e saúde. Saúde indígena. Autoetnografia.

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Biografia do Autor

  • Raiana Jacinto de Moura, Universidade Federal de Santa Catarina

    Discente do curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus de Curitibanos. Graduada em Enfermagem pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) da UFSC, no projeto “Inteligência artificial na saúde a partir da América Latina: desafios emergentes”, SIGPEX 202501645.

  • Daniel Granada, Universidade Federal de Santa Catarina

    Doutor em Etnologia e História (Université de Paris Ouest Nanterre La Défense/University of Essex), professor do Departamento de Ciências Naturais e Sociais (DCNS) e colaborador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFSC. Membro da Rede Franco-Latino-Americana de Ética, Bioética e Inteligência Artificial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Brasil Plural (IBP) e da rede de pesquisadores Arandurâ do Mercosul.

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Publicado

2026-09-25

Edição

Seção

Dossiê: Ética e Integridade, Inteligência Artificial, Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e desinformação nas pesquisas em Humanidades

Como Citar

Inteligência artificial para o bem de quem? Saúde e resistência Kaingang em tempos de inteligência artificial: um ensaio autoetnográfico. Praxis Educativa, [S. l.], v. 21, p. 1–16, 2026. DOI: 10.5212/PraxEduc.v.21.27101.079. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/view/27101. Acesso em: 28 set. 2026.