Inteligência artificial para o bem de quem? Saúde e resistência Kaingang em tempos de inteligência artificial: um ensaio autoetnográfico
DOI:
https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.21.27101.079Abstract
Este artigo, de abordagem autoetnográfica, tem como objetivo refletir sobre os impactos da inteligência artificial (IA) na saúde dos povos indígenas a partir da trajetória de uma enfermeira e estudante de Medicina Kaingang. A metodologia baseia-se na autoetnografia, que articula experiência pessoal e análise crítica, permitindo compreender como a vivência em uma comunidade indígena, o racismo estrutural e a atuação profissional na saúde indígena moldam o olhar sobre as novas tecnologias. O referencial teórico dialoga com os conceitos de colonialidade do poder, colonialismo de dados e soberania de dados indígenas, com discussões sobre ética em pesquisa com povos indígenas e com a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os resultados apontam que a IA, embora apresente potencial para melhorar a saúde, pode reproduzir lógicas coloniais caso não haja participação efetiva dos povos indígenas na gestão de seus dados, sendo indispensáveis a garantia da soberania informacional e o respeito à diversidade cultural.
Palavras-chave: IA e saúde. Saúde indígena. Autoetnografia.
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