A precariedade do social e as gramáticas de existência da adolescência transgressora
DOI:
https://doi.org/10.5212/PraxEduc.v.21.26272.071Abstract
Este artigo analisa a precariedade do social como matriz histórica, política e subjetiva das trajetórias de adolescentes em conflito com a lei no Brasil. Parte-se de uma leitura genealógica das políticas de atendimento à infância e à adolescência, do Código de Menores ao Estatuto da Criança e do Adolescente, evidenciando permanências punitivistas sob a retórica da proteção. Problematiza-se a realidade social, racial e econômica que marca os percursos de criminalização precoce de adolescentes pobres e negros. Com foco no sistema socioeducativo do Rio de Janeiro, interroga-se a distância entre os marcos legais e a experiência concreta da internação. O percurso metodológico fundamenta-se em um olhar psicanalítico e interdisciplinar, a partir de rodas de escuta com adolescentes privados de liberdade. Os achados apontam desamparo, esvaziamento subjetivo, sofrimento psíquico intenso e fragilização da simbolização. Argumenta-se que a transgressão constitui resposta subjetiva inscrita em contextos de exclusão estrutural e defende-se a centralidade da escuta clínica e ética.
Palavras-chave: Precariedade social. Adolescência transgressora. Socioeducação.
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