Paisagem agrária ao sul do Império do Brasil: pecuária, pequena agricultura e diversificação produtiva (Bagé, c.1820-1870)

Resumo

Ao longo do século XIX, o Rio Grande do Sul teve suas principais atividades econômicas ligadas à agropecuária e ao processamento de sua produção. A província se notabilizou pela criação de gado e produção de charque, que ligava a região com as áreas de economia de exportação. Durante muito tempo, a historiografia apontou para o mundo rural do extremo-sul insistindo nessa especialização, bem como em uma sociedade caracterizada pelas grandes estâncias pecuárias e pela predominância do trabalho de peões livres. Nas últimas décadas, porém, muitos estudos têm mostrado a variedade de situações existentes na província, destacando a existência de pequena e média produção agrária, uma importância inegável do trabalho escravo e as modulações importantes que ia para além da pecuária bovina. É neste último ponto que centramos o foco deste trabalho, com especial atenção para Bagé, um dos municípios mais conhecidos por sua especialização pecuária. Através de análise de inventários post mortem entre aproximadamente 1820 e 1870, bem como de outras fontes usadas de modo acessório, destacamos a existência sim da especialização na criação de gado bovino, porém também os modos específicos de sua combinação com uma variedade importante de outras atividades produtivas: agricultura de alimentos, produção de ovinos, equinos e muares.

Palavras chave: Brasil oitocentista; paisagem agrária; diversidade produtiva.

Biografia do Autor

Marcelo Santos Matheus, IFRS

Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor de História do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). E-mail: marcelo.matheus@ifrs.edu.br

Luís Augusto Ebling Farinatti, Professor Associado da Universidade Federal de Santa Maria

Professor do Departamento e do Programa do Pós-Graduação História da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS) em Paris, França. Possui mestrado História do Brasil pela PUCRS e graduações em História e em Direito pela UFSM. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq "Sociedade e hierarquias no Brasil Meridional (1750-1930)". Desenvolve pesquisas sobre a História do Brasil do século XIX, atuando principalmente nos seguintes temas: História agrária, hierarquias sociais, história da família, fronteira, história urbana e construção do Estado no Brasil.

Publicado
2021-06-18