A modernização abarca também os mortos: o problema do cemitério e do crematório no alvorecer de Goiânia

Autores

Resumo

A criação da atual capital de Goiás, a cidade de Goiânia, nasceu com um discurso de modernização encampado pelos novos detentores do poder no Estado, liderados pelo médico Pedro Ludovico Teixeira. O interventor, nomeado por Vargas, tomou como projeto central de sua administração a edificação da nova sede administrativa estadual. A construção de Goiânia foi guiada por uma arquitetura de vanguarda e chegou a ser proposta a criação de um forno crematório. É sobre esse fato que centramos nosso trabalho, tendo como objetivo discutir a proposição feita e as reações da sociedade ante a ideia de cremar os corpos, em substituição ao tradicional sepultamento no cemitério, daqueles que morreriam na nova cidade.   

Biografia do Autor

Deuzair José da Silva, UEG

Pós-doutorando em Ciências da Religião - PUC-GO. Doutor em História PPGH - UFG (2012). Mestre em História - UFG (1997). Graduado em História - Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iporá, atual Câmpus Iporá-UEG (1991). Docente de Ensino Superior Doutor DES IV-2 - Universidade Estadual de Goiás. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: religião, morte, cemitério e história regional.

Eduardo Gusmão de Quadros, Pontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC/GO.

ossui a graduação em Historia pela Universidade Católica do Salvador (1992), o bacharelado em Teologia pelo Instituto Teológico da Bahia (1996) Mestrado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (1998) e Doutorado em História pela Universidade de Brasília (2005). É professor da Pós-graduação Pontifícia Universidade Católica de Goiás e da Pós-graduação da Universidade Estadual de Goiás (PROMEP). Coordenou o curso de graduação em História da PUC-GO em 2009-10 e foi coordenador do Mestrado em História (2010-16). Membro do Conselho Editorial da Revista Caminhos (Ciências da Religião) e da Revista Mosaico (PUC Goiás). Possui ênfase em História religiosa e Teoria da História, atuando principalmente nos seguintes temas: historia e religião, história do cristianismo, Teoria da história e metodologia de pequisa. Membro do CEHILA, da ABHR e da Rede de Pesquisa em História e Catolicismo.

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Publicado

2021-12-06

Como Citar

SILVA, D. J. da; GUSMÃO DE QUADROS, E. . A modernização abarca também os mortos: o problema do cemitério e do crematório no alvorecer de Goiânia. Revista de História Regional, [S. l.], v. 26, n. 2, 2021. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/rhr/article/view/18010. Acesso em: 26 jun. 2022.