A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos e o Serviço Nacional de Informações: vigilância e a construção do inimigo interno durante a Ditadura Militar brasileira
DOI:
https://doi.org/10.5212/Rev.Hist.Reg.v.31.25717Palavras-chave:
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos; Ditadura Militar; Serviço Nacional de Informações; Amazônia; estado do Pará.Resumo
O artigo analisa a vigilância sistemática imposta à Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) durante a Ditadura Militar (1964-1985). Fundada em Belém, Pará, em agosto de 1977, a SDDH surgiu motivada pela defesa de posseiros envolvidos no conflito da Fazenda Capaz e utilizava o jornal Resistência como principal instrumento de denúncia. Metodologicamente, o trabalho baseia-se na análise cruzada de documentação produzida pelos órgãos de informação do Estado (especialmente informes do SNI) e do periódico Resistência, adotando uma leitura crítica das fontes repressivas à luz da historiografia sobre ditadura, memória e vigilância. A documentação evidencia que a SDDH foi rapidamente enquadrada na lógica do “inimigo interno”, sendo suas ações interpretadas como “subversivas” e “fermento para a luta de classes”. O monitoramento mostrou-se sofisticado, com registros detalhados de reuniões, planos de ação e perfis de seus membros. O estudo evidencia, assim, o contraste entre a narrativa estatal e as práticas e discursos da entidade, contribuindo para a compreensão das formas de repressão e resistência na Amazônia durante o regime militar.
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