Folkcomunicação e feminismo negro em Parintins: ancestralidade e resistência no Terreiro de Mãe Bena

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5212/RIF.v.23.i51.0003

Resumo

Este artigo examina Benedita Pinto, Mãe Bena, líder do Terreiro São Sebastião (Parintins-AM), como agente folkcomunicacional, articulando sua agência à dimensão de gênero. Mobiliza-se a folkcomunicação para compreender o terreiro como ambiente de mediações simbólicas em que sentidos circulam por oralidade, performance, rituais e hospitalidade. Em diálogo com o feminismo negro, argumenta-se que a liderança feminina negra estrutura redes de cuidado, memória e transmissão de saberes, e que práticas como canto, benzeduras, partilha de alimentos e aconselhamento configuram linguagens comunicacionais que enfrentam o racismo religioso. O estudo ancora-se em observação participante de festas, rezas e atendimentos. Os resultados indicam que Mãe Bena, ao traduzir códigos rituais e regular tempos do sagrado, exemplifica a figura do agente folk, enquanto o protagonismo feminino organiza a vida coletiva e atualiza ancestralidades afroindígenas. Conclui-se que o terreiro é matriz de resistência cultural e sistema comunicacional não hegemônico, no qual a agência de Mãe Bena integra comunicação, cuidado e política cotidiana em Parintins.

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Biografia do Autor

Bruna do Carmo Reis Lira, Universidade Federal do Pará

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia pela Universidade Federal do Pará. Mestra em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (2024). Graduada em Comunicação Social/ Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (2021). Membra do Grupo de Pesquisa: Socialidades, Intersubjetividades e Sensibilidades Amazônicas (SISA)/UFPA. Experiência na área de Comunicação, com ênfase em jornalismo e em estudos sobre religiões afro-brasileiras.

Adelson da Costa Fernando, Universidade Federal do Amazonas

Sociólogo, Professor da Universidade Federal do Amazonas/ICSEZ/ PPGSCA. Pós-doutorando em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa/UEPG. Doutorado em Ciências da Religião pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião (Bolsista/FAPEAM), na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Mestrado em Sociedade e Cultura na Amazônia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (2001). Membro do Grupo de Pesquisa TROKANO e Grupo de pesquisa Jornalismo Cultural e Folkcomunicação PPGJor/UEPG. Vice-presidente da Rede Brasileira de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação.

Publicado

2025-12-19

Como Citar

REIS LIRA, B. do C.; DA COSTA FERNANDO, A. Folkcomunicação e feminismo negro em Parintins: ancestralidade e resistência no Terreiro de Mãe Bena. Revista Internacional de Folkcomunicação, [S. l.], v. 23, n. 51, 2025. DOI: 10.5212/RIF.v.23.i51.0003. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/25707. Acesso em: 8 jan. 2026.