Mercados e alimentos: complexidade de relações ou simples poder de escolha? (Markets and food: complexity of relationships or simple power of choice?)

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Juçara Elza Hennerich
Veridiany Filus
Clério Plein

Resumo

O presente ensaio teórico tem como objetivo abordar o poder da escolha individual dos atores que compõem a dinâmica de compra e venda de alimentos, tendo como direcionamento a ideia de que este não pode ser visto como mera mercadoria e reduzido aos processos mercadológicos. Na visão aqui exposta, tanto o alimento não deve ser identificado como objeto meramente mercantil, como as relações existentes na produção e aquisição destes perpassam e estão diretamente ligadas às escolhas, sejam elas do que, como e onde produzir, ou o que e de onde consumir. Para tal, realizou-se uma pesquisa bibliográfica que direciona a validação destes aspectos, pontua caminhos possíveis para comercialização e como alternativa real caracteriza-os como contramovimentos. Ações que permeiam a sociedade atual sinalizam uma nova ordem social de consumo que dentro do próprio capitalismo, consideram a escolha individual. O ensaio instiga o indivíduo, a pensar que seus atos não são meramente atrelados a conhecimentos massificadores, e que as relações locais e culturais compõem novas atitudes e escolhas e estas são capazes de modificar o contexto social.

##plugins.generic.paperbuzz.metrics##

Carregando Métricas ...

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Como Citar
Hennerich, J. E., Filus, V., & Plein, C. (2021). Mercados e alimentos: complexidade de relações ou simples poder de escolha? (Markets and food: complexity of relationships or simple power of choice?). Emancipação, 21, 1-17. https://doi.org/10.5212/Emancipacao.v.21.2115022.019
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Juçara Elza Hennerich, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Mestre em Produção Vegetal pela Universidade Estadual do Centro Oeste, especialista em Espaço, Sociedade e Meio Ambiente pelo Instituto Brasileiro de Pós-graduação e Extensão, graduada em Engenharia Agronômica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Professora Celetista do Centro de Ensino Superior Riograndense. E-mail: jucaraeh@gmail.com

Veridiany Filus, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal de São Carlos, especialista em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo Centro Universitário Internacional, graduada em Serviço Social pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. Professora Celetista da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. E-mail: veri_filus@yahoo.com.br

Clério Plein, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Doutor e Mestre em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, graduado em Economia Doméstica pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Professor Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. E-mail: clerioplein@gmail.com

Referências

ABRAMOVAY, R. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. HUCITEC, 1992.

ABRAMOVAY, R. Entre Deus e o Diabo: mercados e interação humana em Ciências Sociais. Tempo Social: Revista de Sociologia da USP, v. 16, n. 2, p. 35-64, 2004.

ALBUQUERQUE, M. M. Pequena história da formação social brasileira. Rio de Janeiro: Graal, 1981.

ALMEIDA, L. M. M. C.; FERRANTE, V.L.S.B.; BERGAMASCO, S. M. P. P.; Programas de segurança alimentar e agricultores familiares: a formação de rede de forte coesão social a partir do PAA no município de Araraquara-SP. In: XLVII Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural. 2009.

BARBOSA, L. “Tendências da alimentação contemporânea”. In: PINTO, M. de L.; PACHECO, J. K. (orgs.). Juventude, consumo e educação. Porto Alegre: ESPM. 2009.

BARROS, J. et al. Os Limites da Acumulação, Movimentos e Resistência nos Territórios. IAU/USP: São Carlos. 169 p. 2018.

BAUMAN, Zigmunt. Globalização: as consequências humanas. Tradução: Marcus Penchel. Jorge Zahar Editor: Rio de Janeiro, 1999.

BRASIL. Lei nº 11.326 de 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11326.htm. Acesso em: 15 de agosto de 2019.

BRASIL, Decreto Nº 1.946, de 28 de junho de 1996. Cria o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1946.htm Acesso em 5 de março de 2021.

BRASIL. Decreto Nº 9.064, de 31 de maio de 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/d9064.htm Acesso em 5 de março de 2021.

BUGRA, A. Polanyi’s concept of double movement and politics in the contemporary market society. In: Bugra , A.; AGARTAN, K. (org.). Reading Karl Polanyi for the Twenty-First Century: Market Economy as a Political Project. Oxford: Palgrave Macmillan, 2007.

BUGRA, A.; AGARTAN, K. (org.) Reading Karl Polanyi for the Twenty-First Century: Market Economy as a Political Project. Oxford: Palgrave Macmillan, 2007.

BURAWOY, M.; WRIGHT, E. O. Sociological marxism. In: Handbook of
sociological theory. Springer, Boston, MA, 2001. p. 459-486.

CASSOL, A.; SCHNEIDER, S. Produção e consumo de alimentos: novas redes e atores. Lua Nova, São Paulo, 95: p. 143-177 - 2015.

DA VEIGA DIAS, V. et al. O mercado de alimentos orgânicos: um panorama quantitativo e qualitativo das publicações internacionais. Ambiente & Sociedade. ANPPAS: São Paulo, vol. XVIII, n. 1, p. 161-182. 2015.

FELICIO, M. J. Os camponeses, os agricultores familiares paradigmas em questão. – Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Geociências. Geografia - v. 15, n. 1, jan./jun. 2006.

GOODMAN, D. 2002. “Rethinking food production-consumption: integrative perspectives”. Sociologia Ruralis, v. 40, n. 4, p. 271-77.

GRISA, C.; SCHNEIDER S. El caso de Brasil. In: SABOURIN, E.; SAMPER, M.; SOTOMAYOR, O. (Ed.). Políticas públicas y agriculturas familiares en América Latina y El Caribe: balance, desafíos y perspectivas. Santiago: Cepal, Red PP‑AL, 2014.

JEAN, B. A forma social da agricultura familiar contemporânea: sobrevivência ou criação da economia moderna. Cadernos de Sociologia, v.6, p. 51-75, 1994.

KAUTSKY, Karl. A questão agrária. São Paulo: Nova Cultural, 1986.

LENIN, I. V. O desenvolvimento do capitalismo na Rússia: o processo de formação do mercado interno para a grande indústria. Tradução de José Paulo Neto. 2º ed. São Paulo: Nova Cultura, 1985.

LINERA, A. G. Tensões Criativas da Revolução. Ed. Expressão popular: São Paulo, p. 100. 2019.

MACHADO, P. P.; OLIVEIRA, R. F. N.; MENDES, N. A. O Indigesto Sistema do Alimento Mercadoria. Saúde e Sociedade: São Paulo, v.25, n.2, p. 505-515, 2016.

MALUF, R. S. P. Políticas Públicas de Desenvolvimento Rural no Brasil. Organizadores Catia Grisa [e] Sergio Schneider. – Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2015.

MCMICHAEL, P. Regimes Alimentares e Questões Agrárias. Estudos camponeses e Mudança Agrária. São Paulo: UNESP, Porto Alegre: UFRGS, n. 1. 2016.

NETTO, J. P.; BRAZ, M. Economia Política: uma introdução crítica. São Paulo: Cortez, 2006.

NIEDERLE, P. A. Os agricultores ecologistas nos mercados para alimentos orgânicos: contramovimentos e novos circuitos de comércio. Sustentabilidade em Debate - Brasília, v. 5, n. 3, p. 79-96, set/dez 2014.

PLEIN, C. Desenvolvimento, mercados e agricultura familiar: uma abordagem institucional da pobreza rural. Curitiba: CRV, 2016.

PRADO JUNIOR, C. História econômica do Brasil. 46 ed. São Paulo: Brasiliense, 2004.

POLANYI, K. La economía como actividad institucionalizada. In: POLANYI, Karl; ARENSBERG, Conrad M.; PEARSON, Harry W. (Ed.). Comercio y Mercado en los Imperios Antiguos. Capítulo XIII, p.289-316. Barcelona: Labor Universitaria, 1976.

POLANYI, K. A nossa obsoleta mentalidade mercantil. Revista Trimestral de Histórias e Ideias: Porto (Portugal), n.1, p. 77. 1978.

POLANYI, K. A grande transformação. 2ed. Rio de Janeiro: Elsevier. 2000.

PORTILHO, F. Novos atores no mercado: movimentos sociais econômicos e consumidores politizados. Política & Sociedade. n. 8. 2009. Disponível em https://www.researchgate.net/publication/274668691_Novos_atores_no_mercado_movimentos_sociais_economicos_e_consumidores_politizados acesso em 5 de março de 2021.

REARDON, T. et al. The rise of supermarkets in Africa, Asia, and Latin America. American Journal of Agricultural Economics. n. 5, p. 1140-1146.

SANTOS, J. S. “Questão Social”: Particularidades no Brasil. São Paulo: Cortez, 2012.

SCHNEIDER, S. A pluriatividade na agricultura. Porto Alegre: UFRGS, 2003.

SCHNEIDER, S.; SILVA, M. K.; MARQUES, P. E. M. Políticas Públicas e Participação Social no Brasil Rural. Porto Alegre. 2004.

SCHNEIDER, S.; RADOMSKY, G. NAS TEIAS DA ECONOMIA: o papel das redes sociais e da reciprocidade nos processos locais de desenvolvimento. Sociedade e Estado: Brasília, v. 22, n. 2, p. 249-284. 2007.

SCHNEIDER, S.; ESCHER, F. A contribuição de Karl Polany para a sociologia do desenvolvimento rural. Sociologias. Porto Alegre: SEER, ano 13, n. 27, p. 180-219. 2011.

SCHIMITT, J. S. Encurtando o caminho entre a produção e o consumo de alimentos. Agriculturas. Curitiba: ASPTA, v. 8, n. 3. 2011.

SEN, Amartya K. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

SEN, A. Sobre Ética e Economia. Tradução: Laura Teixeira Mota. São Paulo. Companhia das Letras: 1999.

STASSART, P. M. Le rôle des “consommateurs” dans la construction d’un accord entre agriculteurs et environnementalistes. In: ENCONTRO DA REDE DE ESTUDOS RURAIS, 4. Anais... Curitiba: UFPR, 2010.

WANDERLEY, M. N. B. Raízes Históricas do Campesinato Brasileiro. In: XX Encontro Anual da Anpocs GT17, Processos Sociais Agrários Caxambu, MG Outubro 1996. Disponível em: http://www.redereparte.org.br/arquivos/reparte07-08-2012_110532.pdf Acesso em: 02 de agosto de 2019.

WANDERLEY, M. de N. B. O campesinato brasileiro: uma história de resistência. Revista de Economia e Sociologia Rural: Piracicaba - SP, Vol. 52, Supl. 1, p. 025-044, 2015.