Crenças linguísticas de professores de língua portuguesa da rede pública de Buritizal-SP
DOI:
https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.28.25387.011Palavras-chave:
Crenças linguísticas, Sociolinguística, Língua PortuguesaResumo
Este artigo investiga as crenças linguísticas de professoras da rede pública de Buritizal (SP), com foco em suas representações sobre a língua, a variação linguística e o ensino. Fundamentada na Sociolinguística Educacional (Bortoni-Ricardo, 2005) e em estudos sobre atitudes linguísticas (López Morales, 2004), a pesquisa adota metodologia qualitativa, utilizando um teste com 23 questões distribuídas em seis blocos temáticos. A análise revela a predominância de uma visão normativa da língua, com valorização da norma-padrão e da escrita. Contudo, emergem sinais de consciência crítica em temas como identidade linguística e adequação situacional. As respostas indicam contradições e tensões, evidenciando a coexistência entre crenças tradicionais e possibilidades de abertura a práticas pedagógicas mais inclusivas. Conclui-se que essas crenças são socialmente construídas, atravessadas por experiências e afetos, e que a formação continuada desempenha papel fundamental na ressignificação dessas perspectivas em prol de um ensino mais crítico e sensível à diversidade linguística.
Referências
AMARAL, A. M. G. Reações subjetivas de professores de português ao dialeto não-padrão. 1989. 153 f. Dissertação (Mestrado em Lingüística), UNB, Brasília, 1989.
AGUILERA, V. A. Crenças e atitudes linguísticas: o que dizem os falantes das capitais brasileiras. Estudos Linguísticos, São Paulo, v. 37, n. 2, p. 105-112, maioago. 2008. Disponível em: http://www.gel.hospedagemdesites.ws/estudoslinguisticos/volumes/37/EL_V37N2_1 1.pdf. Acesso em: 8 nov. 2020.
BARCELOS, A. M. F.; ABRAHÃO, M. H. V. Crenças e ensino de língua: foco no professor, no aluno e na formação de professores. Campinas: Pontes, 2006.
BARCELOS, A. M. F Cognição de professores e alunos: tendências recentes na pesquisa de crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas. In: BARCELOS, A. M. F; ABRAHÃO, M. H. V. (Org.). Crenças e ensino de língua: foco no professor, no aluno e na formação de professores. Campinas: Pontes, 2006b. p. 15-42.
BAGNO, M. A língua de Eulália: novela sociolinguística. São Paulo, Contexto, 1997
BAGNO, M. A norma oculta: língua & poder na sociedade brasileira. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
BAGNO, M. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação lingüística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.
BAGNO, M. Preconceito linguístico. 56ª ed. revisada e ampliada. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.
BAGNO, M. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.
BARCELOS, A. M. F. Crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas: reflexões de uma década de pesquisa no Brasil. In: ALVAREZ, M. L. O; SILVA, K. A. (org.). Linguística Aplicada: múltiplos olhares. Campinas: Pontes, 2007. p. 27-69.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BARONAS, J. E. de A; COBUCCI, P. A importância da Sociolinguística Educacional na formação docente continuada. In: MOLLICA, M. C.; JUNIOR, C. F. Sociolinguística, sociolinguísticas: uma introdução. São Paulo: Editora Contexto, 2016.
BARBOSA, J. B.; NOGUEIRA, T. A. Variação Linguística, ENEM e livro didático: como se dá o tratamento das competências sociolinguísticas no ensino médio? 2018
BLANCO CANALES, A. Estudio sociolinguístico de Alcalá de Henares. Alcalá de Henares, Madrid: Servicio de Publicaciones de la Universidad de Alcalá, 2004.
BOURDIEU, P. Razões práticas: sobre a teoria da ação. São Paulo: Papirus, 1996
BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
BORTONI-RICARDO, S. M. Nós cheguemu na escola, e agora? — Sociolinguística e educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
BOGDAN, R. C.; BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Portugal: Porto Editora, 1994.
BOTASSINI, J. O. Maia. Crenças e atitudes linguísticas quanto ao uso de róticos. Signum: Estudos da Linguagem 12: 2009, p.85-102.
BOTASSINI, J. O. Maia. A Importância dos Estudos de Crenças e Atitudes para a Sociolinguística. Signum: Estud. Ling., Londrina, n. 18/1, p. 102-131, jun. 2015.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASIL, Ministério da Educação. Base Nacional Curricular Comum. Secretaria de Educação Fundamental e Médio. Brasília: MEC/SEF, 2018.
CHIZZOTTI, A. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Vozes, 2006.
CYRANKA, L. F. M. Atitudes linguísticas de alunos de escolas publicas de Juiz de Fora- MG. Tese de Doutorado. UFF – Niterói, 2007.
CYRANKA, L. F. M.; RONCARATI, C. Crenças de professores e alunos de português de escolas públicas de Juiz de Fora-MG. In: RONCARATI, C.; ABRAÇADO, J. (Org.). Português brasileiro II: contato lingüístico, heterogeneidade e história. Rio de Janeiro: FAPERJ/ EDUFF, 2008. p. 172.
DENZIN, N. K. e LINCOLN, Y. S. Introdução: a disciplina e a prática da pesquisa qualitativa. In: DENZIN, N. K. e LINCOLN, Y. S. (Orgs.). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 15-41
GÓMEZ MOLINA, J. R. Actitudes lingüísticas en Valencia y su área metropolitana: evaluación de cuatro variedades dialectales. In: CONGRESO INTERNACIONAL DE LA ASOCIACIÓN DE LINGÜÍSTICA Y FILOLOGÍA DE LA AMÉRICA LATINA – ALFAL, 11, 1996, Las Palmas de Gran Canaria. A_c_t_a_s_… _Las Palmas de Gran Canaria: Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, 1996. v. 2, p. 1027-1042.
Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
FARACO, C. A. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.
FLICK, U. Uma introdução a pesquisa qualitativa. Porto Alegre, RS: Bookman, 2004.
FUNGUETO, A. D. Atitudes linguísticas: um estudo na localidade paranaense de Guaíra. 2021. 203 f. Tese (Doutorado em Letras) - Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel - PR.
GNERRE, M. Linguagem, escrita e poder. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
HYMES, D. On communicative competence. In: PRIDE, J. B.; HOLMES, J. Sociolinguistics. England: Penguin Books, 1972. p. 269-293.
LAMBERT; W. E.; HODGSON, R.C.; GARDNER, Robert C.; FILLENBAUM, Samuel. Evaluation reactions to spoken languages. Journal of Abnormal Social Psychology, n. 60, p. 44-51, 1960.
LAMBERT, W.W.; LAMBERT, W. E.L. “A significação social das atitudes” In: ____ Psicologia social. Trad. D. Moreira. – Rio de Janeiro: Zahar Editora, 1966. (p. 98-135).
LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. Tradução de Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Caroline Rodrigues Cardoso. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
LABOV, W. The community as educator. In: LANGER, J.(Ed.). Proc. of the Stanford Conference on Language and Literature. Norwood, NJ: Ablex, 1987. p. 128-146.
LEITE, C. M. B. Atitudes Lingüísticas: a Variante Retroflexa em Foco. Dissertação de Mestrado. UNICAMP – Campinas, 2004.
LÓPEZ MORALES, H. Sociolinguística. 2 ed. Madrid: Gredos, 2004.
MARINE, T. de C.; BARBOSA, J. B. Em busca de um ensino sociolinguístico de Língua Portuguesa no Brasil. Signum: Estudos da Linguagem, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 185–215, 2017. DOI: 10.5433/2237-4876.2016v19n1p185. Disponível em: https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/signum/article/view/23161. Acesso em: 29 out. 2025.
MORENO FERNÁNDEZ, F. Principios de sociolingüística y sociología del lenguaje. Barcelona: Ariel, 1998.
RYAN, E, B.; GILES, H.; SEBASTIAN, R. J. An integrative perspective for the study of attitudes toward language variation. In.: ______. Attitudes towards language variation: social and applied contexts. London: Edward Arnold, 1982. p. 1-19.
SHUY, R; BARATZ, Joan C; WOLFRAM, Walter. Sociolinguistic factors in speech identification. Project report n. MH 15048-01, NationalInstituteof Mental Health, 1969.
SANTOS, E. Certo ou errado?: atitudes e crenças no ensino da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Graphia, 1996.
SILVA, F. B; BOTASSINI, J. O. M. Crenças e Atitudes Linguísticas: o que pensam os alunos de Letras sobre o ensino de Língua Portuguesa. Letras & Letras, Uberlândia, v. 31, n. 2, p. 61–85, 2015. DOI: 10.14393/LL62-v31n2a2015-4. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/letraseletras/article/view/31457. Acesso em: 20 jan. 2026.
SENE, M. G. Avaliações subjetivas de professores de educação básica do interior de SP: o caso dos desvios ortográficos. REVISTA DIÁLOGOS (REVDIA), v. 7, p. 33-56, 2019.
SENE, M. G. ?Bunitim demais da conta? crenças e atitudes linguísticas sobre o ?falar mineiro? da região metropolitana de Belo Horizonte. TABULEIRO DE LETRAS, v. 7, p. 242-259, 2023.
SENE, M. G.; SILVA, A. M. . O direito à diversidade linguística e a promoção do respeito linguístico. REVISTA DE ESTUDOS DE CULTURA, v. 8, p. 127-158, 2022.
SENE, M. G.; OLIVEIRA, F. A. L. Bases para uma pedagogia da variação linguística: língua, variação e valores sociais. Projeto de Pesquisa. APQ 4/2024. Universidade de Pernambuco. Disponível em: . DOI 10.17605/OSF.IO/R3H4Z.
SENE, M. G. de; SILVA, Paulo Henrique Alves da. Entre a consciência da diversidade e a prática normativa: discutindo crenças e atitudes linguísticas de docentes do Ensino Fundamental II. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 19, p. e019065, 2025. DOI: 10.14393/DLv19a2025-65. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/79047. Acesso em: 20 jan. 2026.
TRAVAGLIA, L. C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. 2.ed. São Paulo: Cortez, 1997.
TRIVIÑOS, A. N. S. Três enfoques na pesquisa em ciências sociais: o positivismo, a fenomenologia e o marxismo. In: TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. São Paulo, SP: Atlas, 1987. p. 30-79.
YERO, J. L. PNL e educação 2 – a influência das crenças dos professores. A Influência das Crenças dos Professores. Trad. Hélia Cadore. Disponível em: <http://www.golfinho.com.br/artigos/artigodomes200301.htm>. 2010. Acesso em: 16 out. 2025
WEINREICH, U.; LABOV, W.; HERZOG, M. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança lingüística. Trad.: Marcos Bagno; revisão técnica: Carlos Alberto Faraco; posfácio: Maria da Conceição A. de Paiva, Maria Eugênia Lamoglia Duarte. Säo Paulo: Parábola, 2006.
ZILLES, A. M. S., FARACO, C. A (Org.). Por uma pedagogia da variação linguística: língua, diversidade e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.
ZILLES, A. M. S., FARACO, C. A (Org.). Para conhecer: norma linguística. São Paulo: Contexto, 2017.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Thiago Afonso Nogueira, Dr. Marcus Garcia de Sene, Dr.ª Juliana Bertucci Barbosa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Os autores são autorizados a assinarem contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada nesta revista (por exemplo, em repositórios institucionais ou capítulos de livros), com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista).
c) Os autores são estimulados a publicar e distribuir a versão onlline do artigo (por exemplo, em repositórios institucionais ou em sua página pessoal), considerando que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e as citações do artigo publicado.
d) Esta revista proporciona acesso público a todo o seu conteúdo, uma vez que isso permite uma maior visibilidade e alcance dos artigos e resenhas publicados. Para maiores informações sobre esta abordagem, visite Public Knowledge Project, projeto que desenvolveu este sistema para melhorar a qualidade acadêmica e pública da pesquisa, distribuindo o OJS assim como outros softwares de apoio ao sistema de publicação de acesso público a fontes acadêmicas.
e) Os nomes e endereços de e-mail neste site serão usados exclusivamente para os propósitos da revista, não estando disponíveis para outros fins.
______________

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.




