Para Além da Técnica: Competências da Formação Docente na Construção de uma Educação Inclusiva e Equitativa
DOI:
https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.29.25647.036Palavras-chave:
Formação de Professores, Educação Inclusiva, Competências DocentesResumo
Este ensaio teórico investiga as competências necessárias à formação inicial e continuada de professores para a consolidação de uma prática docente inclusiva e equitativa. Parte-se da premissa de que, apesar do avançado marco legal brasileiro, persiste um abismo entre a normatização e a realidade das salas de aula, cuja superação está intrinsecamente ligada à adequada preparação dos educadores. A análise incorpora, ainda, a trajetória normativa mais recente da educação especial brasileira, da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (Decreto nº 12.686/2025) à sua regulamentação pela Portaria MEC nº 421/2026, evidenciando que o aprimoramento do arcabouço legal não dispensa, por si só, a adequada formação docente. O estudo, de natureza bibliográfica, problematiza as lacunas dos modelos formativos tradicionais e defende a transição para um paradigma de formação reflexiva. A análise centra-se no mapeamento e na discussão de um conjunto tríplice de competências fundamentais: socioemocionais (empatia, resiliência, colaboração), pedagógicas (flexibilização curricular, avaliação processual, trabalho com pares) e tecnológicas (domínio de tecnologias assistivas e digitais). Conclui-se que a efetivação da inclusão exige uma reestruturação curricular na formação de professores, integrando transversalmente essas competências por meio de estágios supervisionados significativos e formação continuada contextualizada, de modo a instrumentalizar o docente para responder criativamente e criticamente à diversidade discente, transformando o ideal inclusivo em prática pedagógica cotidiana.
Referências
ALVES, M. M.; RIBEIRO, J.; SIMÕES, F. Desenho Universal para a aprendizagem: construindo práticas pedagógicas inclusivas. Da Investigação às Práticas, v. 3, n. 2, p. 8-26, 2013.
BERSCH, R. Introdução à Tecnologia Assistiva. Porto Alegre: CEDI, 2017.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 dez. 1996.
BRASIL. Política nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília/DF: MEC/SEESP, 2008. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/media/secadi/politicaseducacaoespecial.pdf . Acesso em: 23 set. 2025.
BRASIL. Subsecretaria nacional de promoção dos direitos da pessoa com deficiência. Comitê de ajudas técnicas: tecnologia assistiva. Brasília: CORDE, 2009.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial de professores para a Educação Básica. Resolução CNE/CP nº 2, de 20 de dezembro de 2019. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 dez. 2019.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (Tribunal Pleno). Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 6.590/DF. Referendo na medida cautelar. Relator: Ministro Dias Toffoli. Julgamento em 21 de dezembro de 2020. Brasília, DF: Supremo Tribunal Federal, 2020. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=6036507. Acesso em: 21 set. 2026.
BRASIL. Decreto nº 10.502, de 30 de setembro de 2020. Institui a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida. Brasília, DF: Presidência da República, 2020. [Revogado pelo Decreto nº 11.370, de 2023]. Disponível em: Portal do Planalto. Acesso em: 21 set. 2026.
BRASIL. Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025. Institui a política nacional de Educação Especial Inclusiva e a rede nacional de Educação Especial Inclusiva. Brasília, DF: Presidência da República, 2025. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2025/decreto-12686-20-outubro-2025-798166-publicacaooriginal-176779-pe.html . Acesso em: 21 out. 2025.
BRASIL. Guia para identificação e declaração do público da Educação Especial no censo escolar: orientações para as redes de ensino. Brasília: Ministério da Educação, 2026a.
BRASIL. Portaria MEC nº 421, de 15 de maio de 2026. Dispõe sobre a política nacional de Educação Especial Inclusiva - PNEEI e sobre a rede nacional de Educação Especial Inclusiva - Reneei. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 18 maio 2026b.
CONTE, E.; HABOWSKI, A. C. Olhares sobre Tecnologia Assistiva e Desenho Universal para a aprendizagem: encruzilhadas, interseções, insurgências. Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 35, p. 1-26, 2022.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 25. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
GARCÍA, C. M. Formação de professores: para uma mudança educativa. Porto: Porto Editora, 1999.
LIBÂNEO, J. C. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem: componente do ato pedagógico. São Paulo: Cortez, 2011.
MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? 3. ed. São Paulo: Summus, 2015.
MARÇAL Y GUTHIERREZ, C. C.; PRATA, J. de M. Ensino na perspectiva do Desenho Universal para a aprendizagem: um diálogo sobre acessibilidade curricular. Cadernos do Aplicação, Porto Alegre, v. 39, n. 1, 2026.
MENEGHETTI, F. K. O que é um ensaio-teórico? Revista de Administração Contemporânea (RAC), v. 15, n. 2, p. 320-332, 2011.
MITTLER, P. Educação Inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003.
PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
SACRISTÁN, J. G. Consciência e ação sobre a prática como libertação profissional dos professores. In: NÓVOA, António (Org.). Profissão Professor. 2. ed. Porto: Porto Editora, 1995. p. 63-92.
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2006.
SCHÖN, D. A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.
SILVA, R. S. 17 Anos de disputas paradigmáticas na Educação Especial brasileira: avanços, rupturas e retrocessos. Revista Communitas, v. 9, n. 23, 2025.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Dr. Rafael Soares Silva (Autor)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Os autores são autorizados a assinarem contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada nesta revista (por exemplo, em repositórios institucionais ou capítulos de livros), com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista).
c) Os autores são estimulados a publicar e distribuir a versão onlline do artigo (por exemplo, em repositórios institucionais ou em sua página pessoal), considerando que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e as citações do artigo publicado.
d) Esta revista proporciona acesso público a todo o seu conteúdo, uma vez que isso permite uma maior visibilidade e alcance dos artigos e resenhas publicados. Para maiores informações sobre esta abordagem, visite Public Knowledge Project, projeto que desenvolveu este sistema para melhorar a qualidade acadêmica e pública da pesquisa, distribuindo o OJS assim como outros softwares de apoio ao sistema de publicação de acesso público a fontes acadêmicas.
e) Os nomes e endereços de e-mail neste site serão usados exclusivamente para os propósitos da revista, não estando disponíveis para outros fins.
______________

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.




