Tecnologias digitais e formas de subjetivação: uma cartografia da trajetória de uma formadora de professores
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Este estudo investiga os impactos das tecnologias digitais na produção da subjetividade de uma professora formadora. Pelo método cartográfico, acompanha formas de subjetivação em sua trajetória escolar e acadêmica, analisando atravessamentos tecnológicos desde o contato inicial com computadores até a racionalidade neoliberal na docência contemporânea. Os resultados indicam que, embora a digitalização, a plataformização e a cultura do desempenho tendam a automatizar e exaurir os corpos docente e estudantil, via autoexigência e datificação do trabalho, é possível produzir outros regimes e subjetividades. Conclui-se que práticas como a elaboração artesanal de portfólios e o investimento em encontros presenciais funcionam como gestos micropolíticos de resistência. Tais ações são capazes de abrir brechas nos dispositivos educativos molares e cultivar novas relações na formação universitária.
Detalhes do artigo
Seção

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Os autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista.
b) Os autores são autorizados a assinarem contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada nesta revista (por exemplo, em repositórios institucionais ou capítulos de livros), com reconhecimento da sua autoria e publicação inicial nesta revista).
c) Os autores são estimulados a publicar e distribuir a versão onlline do artigo (por exemplo, em repositórios institucionais ou em sua página pessoal), considerando que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e as citações do artigo publicado.
d) Esta revista proporciona acesso público a todo o seu conteúdo, uma vez que isso permite uma maior visibilidade e alcance dos artigos e resenhas publicados. Para maiores informações sobre esta abordagem, visite Public Knowledge Project, projeto que desenvolveu este sistema para melhorar a qualidade acadêmica e pública da pesquisa, distribuindo o OJS assim como outros softwares de apoio ao sistema de publicação de acesso público a fontes acadêmicas.
e) Os nomes e endereços de e-mail neste site serão usados exclusivamente para os propósitos da revista, não estando disponíveis para outros fins.
______________

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Como Citar
Referências
BRASIL. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Portaria CNPq nº 2.664, de 6 de março de 2026: institui a política de integridade na atividade científica do CNPq. Brasília: CNPq, 2026. Disponível em: http://memoria2.cnpq.br/web/guest/view/-/journal_content/56_INSTANCE_0oED/10157/23142775. Acesso em: 13 jul. 2026.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer nº 14, de 10 de julho de 2020. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Continuada de Professores da Educação Básica [...]. Brasília, DF, 2020. Disponível em: https://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=153571-pcp014-20&category_slug=agosto-2020-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 3 out. 2022.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/. Acesso em: 10 abr. 2026.
CORRÊA, G. C. Educação, comunicação, anarquia: procedências da sociedade de controle no Brasil. São Paulo: Cortez, 2006.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. 2. ed. São Paulo: Ed. 34, 2011. v. 2.
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Tradução Roberto Machado - 20ª ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2025.
HAN, B. C. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.
HAN, B. C. Não coisas: reviravoltas do mundo da vida. Petrópolis: Vozes, 2022.
HERRERA-URÍZAR, G. As tecnologias digitais na educação neoliberal são como dispositivos na construção da subjetividade. 2025. Tese (Doutorado) – Universidade de Barcelona, Barcelona, 2025. Disponível em: https://hdl.handle.net/10803/696268. Acesso em: 10 abr. 2026.
ILLICH, I. Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1973.
INGOLD, T. Antropologia e/como educação. Petrópolis: Vozes, 2020.
KASTRUP, V. O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. Psicologia & Sociedade, v. 19, n. 1, p. 15–22, jan. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/8rWQrJSBTg7w8zTV47svGTq/?lang=pt. Acesso em: 13 jul. 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-71822007000100003
PFEIFFER, J. E. Uma visão nova da educação: systems analysis, ou análise de sistemas em nossas escolas e faculdades. São Paulo: Nacional, 1971.
RIBEIRO, É. S.; COSTA, F. A. G. D. O método da cartografia e a educação em ciências: interlocuções. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, Belo Horizonte, v. 24, p. e34974, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epec/a/VKGH44NHVyP3pBDLwBPLgYK/?format=html&lang=pt. Acesso em: 2 abr. 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/1983-21172022240102
RIGUE, F. M. O acesso ao corpo mínimo e os processos educacionais: tomos-vacúolos de uma escrita-oficina. In: RIGUE, F. M. Rizomas em Educação. Veranópolis, Diálogo Freiriano, 2021.
RIGUE, F. M.; DALMASO, A. C.; RAMOS, M. R. S. A potência do Portfólio na Formação Docente em Química: um relato narrativo autobiográfico. Revista Insignare Scientia - RIS, v. 4, p. 151-167, 2021. Disponível em: https://periodicos.uffs.edu.br/index.php/RIS/article/view/11759. Acesso em: 13 jul. 2026. DOI: https://doi.org/10.36661/2595-4520.2021v4i1.11759
RIGUE, F. M.; SALES, T. A.; DALMASO, A. C. O Portfólio na formação inicial de professores/as. Educação e Cultura Contemporânea, v. 21, p. 1-31, 2024. https://doi.org/10.5935/2238-1279.2024v210031. Disponível em: https://mestradoedoutoradoestacio.periodicoscientificos.com.br/index.php/reeduc/article/view/10938. Acesso em: 13 jul. 2026. DOI: https://doi.org/10.5935/2238-1279.2024v210031
RIGUE, F. M.; CORRÊA, G. C. Didática da Química: da promessa de ensinar tudo a todos a um conhecer com vontade. In: SILVA, W. D. A. da; SOUSA, R. S. de. (Org.). Paisagens da Didática da Química à Educação Química. 1ed. São Paulo: LF Editorial, 2026, v. 1, p. 19-32.
RIGUE, F. M. Cartografia de um corpo docente em adoecimento: escrita de si e produção de vida a partir do diagnóstico. #Tear: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, Canoas, v. 15, n. 1, 2026. DOI: 10.35819/tear.v15.n1.a8108. Disponível em: https://periodicos.ifrs.edu.br/index.php/tear/article/view/8108. Acesso em: 13 jul. 2026. DOI: https://doi.org/10.35819/tear.v15.n1.a8108
ROMAGNOLI, R. C. A cartografia e a relação pesquisa e vida. Psicologia & Sociedade, v. 21, n. 2, p. 166–173, maio 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/zdCCTKbXYhjdVYL4VS8cXWh/abstract/?lang=pt. Acesso em: 10 mar. 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-71822009000200003
VASCONCELOS, C. de M.; MAGALHÃES, C. H. F.; MARTINELI, T. A. P. A influência neoliberal nas políticas educacionais brasileiras: um olhar sobre a BNCC. Eccos Rev. Cient., São Paulo, n. 58, e10726, jul. 2021. Disponível em: http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-92782021000300100. Acesso em: 9 abr. 2026. DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n58.10726
VIEIRA, G. S. de O.; RIGUE, F. M. O Portfólio nos documentos orientadores da educação escolar brasileira. Iluminuras, Porto Alegre, v. 27, n. 73, p. 860–876, 2026. DOI: 10.22456/1984-1191.152996. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/iluminuras/article/view/152996. Acesso em: 14 jul. 2026. DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.152996
XIMENES, P. de A. S.; MELO, G. F. BNC - Formação de Professores: da completa subordinação das políticas educacionais à BNCC ao caminho da resistência propositiva. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 103, n. 265, p. 739–763, set. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbeped/a/sXS7mctjLMxVBr9LSYNhJPp/?lang=pt. Acesso em: 9 mar. 2026. DOI: https://doi.org/10.24109/2176-6681.rbep.103i265.5112