Redistribuição, reconhecimento e representação em Honneth e Fraser: um debate a partir do espaço escolar

Conteúdo do artigo principal

Dr. Gustavo Martins Piccolo
https://orcid.org/0000-0002-6078-9176

Resumo

O texto apresentado trata-se de ensaio teórico originado a partir de uma revisão literária integrativa, que objetiva tecer considerações a partir dos escritos de Honneth e Fraser acerca das categorias redistribuição, reconhecimento e representação como angulares na produção de uma sociedade que comungue efetivamente os ideais de igualdade e justiça anunciados pela modernidade. Vinculado epistemologicamente ao referencial da Teoria Crítica, o presente ensaio demarca a importância em se trabalhar com tais conceitos como componente fundamental na produção de um ambiente que denuncie arbitrariedades e plasme a inclusão social como evento possível e não apenas desejável nas mais variadas dimensões culturais. Ademais, demarca como os espaços educacionais, especialmente os escolarizados, podem exercer nuclear atuação na promoção de uma sociedade configurada como justa ao englobar como princípio orgânico curricular desde a discussão de questões materiais e de identidade que atravessam nossa existência, indo até o exercício da defesa da presença de todos os públicos representativos na sociedade nas arenas de poder democráticas.

Métricas

Carregando Métricas ...

Detalhes do artigo

Como Citar
PICCOLO, G. M. Redistribuição, reconhecimento e representação em Honneth e Fraser: um debate a partir do espaço escolar. Olhar de Professor, [S. l.], v. 26, p. 1–24, 2023. DOI: 10.5212/OlharProfr.v.26.20015.003. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/olhardeprofessor/article/view/20015. Acesso em: 25 jun. 2024.
Seção
Artigos em fluxo contínuo
Biografia do Autor

Dr. Gustavo Martins Piccolo, Universidade de Araraquara

Pós-doutor em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Doutor em Educação Especial pela UFSCar), Mestre em Educação pela UFSCar; Especialista em Educação Física pela UNICAMP; Graduado e Bacharel em Educação Física pela UFSCar; graduado em PEDAGOGIA pela Uninove. Professor do Centro Universitário de Araraquara e ex-Prefeito e palestrante em temáticas como Sociologia da educação; Sociologia; Educação Física; Educação Especial, Psicologia Histórico-Cultural, Pedagogia Histórico-Crítica. Autor de diversos artigos publicados em periódicos científicos e dos livros: "Por um pensar sociológico sobre a deficiência" e "O lugar da pessoa com deficiência na história: uma narrativa ao avesso da lógica ordinária. Foi Prefeito de Gavião Peixoto por dois mandatos consecutivos (2013-2020), sendo eleito por três vezes, pela Fundação Firjan, o melhor gestor fiscal do Brasil.

Referências

ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: Fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.

BOBBIO, N. A teoria das formas de governo. Brasília: Editora UnB, 9ª. ed., 1997.

BRASIL. Lei n° 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. BRASÍLIA, 2001. Disponível em: L10172 (planalto.gov.br). Acessado em 08 de março de 2022.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução n. 2, de 11 de setembro de 2001, institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: CNE/CEB, 2001b.

BRASIL. Lei Federal n. 10436 de 24 de abril de 2002: Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Brasília 2002. Disponível em: L10436 (planalto.gov.br). Acessado em 05 de maio de 2022.

BRASIL. Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Brasília: D.O.U. de 10 de janeiro de 2003.

BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEE, 2008.

Brasil. Decreto 6571, de 17 de setembro de 2008. Dispõe sobre o atendimento educacional especializado. Presidência da República/Casa Civil/Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília. 2008b.

BRASIL. Decreto nº 7.611 de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Presidência da República/Casa Civil/ Subchefia para Assuntos Jurídicos. Brasília, DF, 2011

BASIL. Lei n. 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Brasília, DF, 28 dez. 2012.

BRESSIANI, N. Do trabalho ao reconhecimento: Axel Honneth entre Marx e Habermas. Cadernos De Filosofia Alemã: Crítica E Modernidade, v.25, nº3, 13-34, 2020. In: https://doi.org/10.11606/issn.2318-9800.v25i3p13-34

CURY, C. R. J. Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença. Cadernos de Pesquisa [online]. 2002, n. 116, pp. 245-262. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-15742002000200010>.

CYFER, I; NEVES, R. Entrevista com Nancy Fraser. In: ABREU, M.A. (Org). Redistribuição, reconhecimento e representação: diálogos sobre igualdade de gênero. Brasília: Ipea, 2011.

DAVIS, L. The Disability Studies Reader. Routledge, 2013.

FERNANDES, F. Mudanças sociais no Brasil. São Paulo, Difel, 1960.

FRASER, N. “Rethinking the Public Sphere: A Contribution to the Critique of Actually Existing Democracy.” Social Text, no. 25/26, Duke University Press, 1990, pp. 56–80, https://doi.org/10.2307/466240.

FRASER, N. Da redistribuição ao reconhecimento? Dilemas da justiça numa era “pós-socialista”. Cadernos De Campo (São Paulo - 1991), 15(14-15), 231-239, 2006. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v15i14-15p231-239

FRASER, N. Reconhecimento sem ética?. Lua Nova: Revista de Cultura e Política [online]. n. 70, pp. 101-138, 2007. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-64452007000100006>.

FRASER, N. Mapeando a imaginação feminista: da redistribuição ao reconhecimento e à representação. Revista Estudos Feministas [online]. 2007b, v. 15, n. 2, pp. 291-308. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0104-026X2007000200002>.

FRASER, N. Reenquadrando a justiça em um mundo globalizado. Lua Nova, São Paulo,

: 11-39, 2009. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php

?pid=S0102-64452009000200001&script=sci_abstract&tlng=pt>.

FRASER, N. Repensando o reconhecimento. Revista enfoques, volume 9, número 1. Rio de Janeiro, 2010.

GARCIA, S. G. Antropologia, modernidade,identidade: notas sobre a tensão entre o geral e o particular. Tempo Social [online]. 1993, v. 5, n. 1-2, pp. 123-143. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/ts.v5i1/2.84952>.

GROCE, N. E. Women With Disabilities in the Developing World: Arenas for Policy Revision and Programmatic Change. Journal of Disability Policy Studies. v.8:177-193, 1997.

GROCE, N. E. Disability in cross-cultural perspective: Rethinking disability. Lancet, 254, 756–764, 1999.

HEIT, H. Verdade é práxis: Nietzsche e Marx* * This research is supported by the ‘Double First Class’ development Project of Tongji University, Shanghai. Cadernos Nietzsche [online]. 2018, v. 39, n. 3, pp. 141-174. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/2316-82422018v3903hh>.

HONNETH, A. “Recognition and justice. Outline of a plural

theory of justice”. Acta Sociologica, London, v.47, n4, p.51-364, 2004.

HONNETH, A. Sofrimento de Indeterminação. São Paulo: Esfera Pública, 2007.

HONNETH, A. Luta por Reconhecimento. A gramática moral dos conflitos sociais. 2ª ed. São Paulo: Editora 34, 2009.

HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. São Paulo: Editora da Unesp, 2015.

MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.

MARX, K. O Dezoito Brumário de Louis Bonaparte. São Paulo: Centauro, 2006.

MATOS, P. O reconhecimento, entre a justiça e a identidade. Lua Nova: Revista de Cultura e Política [online]. 2004, n. 63, pp. 143-160. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-64452004000300006>.

MENDONÇA, R. F. Democracia e desigualdade: as contribuições da teoria do reconhecimento. Revista Brasileira de Ciência Política [online]. 2012, n. 9, pp. 119-146. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-33522012000300005>.

PINTO, C. R. J. O que as teorias do reconhecimento têm a dizer sobre as manifestações de rua em 2013 no Brasil. Sociedade e Estado [online]. 2016, v. 31, pp. 1071-1092. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/s0102-69922016.0spe0012>.

SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 8. ed. rev. e ampl. Campinas: Autores Associados, 2003.

SILVA, E. P. B. Repensando a redistribuição: Nancy Fraser e a Economia Política. Civitas - Revista de Ciências Sociais [online]. 2018, v. 18, n. 3, pp. 563-579. Disponível em: <https://doi.org/10.15448/1984-7289.2018.3.29834>.

SOUZA, L. G. C. Reconhecimento como Teoria Critica?: a formulação de Axel Honneth. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas, Campinas, SP, 2009.

SOUZA, L. G. C. Reconhecimento, redistribuição e as limitações da Teoria Crítica contemporânea. 313 p. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP, 2013.

UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. UNESCO: Jomtien, 1990.

UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Declaração de Salamanca: sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Salamanca: Espanha, 1994.

VYGOTSKY, L. S. Fundamentos de defectologia. Havana: Editorial Pueblo y Educación, 1989.

WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. World report on disability. Switzerland: WHO, 2011.